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Uma Mensagem Para os Jovens |
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James E. Faust
"Como filhos e filhas de Deus, temos a obrigação de desenvolver o maior número de talentos que Dele recebemos. Vocês serão mais felizes se souberem quem são e gostarem de si mesmos."
Quero cumprimentá-los, meus jovens, como espíritos escolhidos e especiais que são, tendo sido reservados para nascer nesta geração. Vocês estão começando sua luta para descobrir quem são e qual é seu lugar na vida. Vocês têm sentimentos novos e fortes. Enfrentam grandes desafios. Espero que estejam começando a se destacar e a terem sucesso de alguma forma notável, talvez em seu sorriso, sua personalidade ou sua capacidade de elevar outras pessoas.
Talvez estejam descobrindo seus talentos como atletas, estudantes, especialistas em computação, músicos, construtores, artistas ou em uma centena de outras áreas. Isso pode proporcionar-lhes algum tipo de reconhecimento pessoal. Essas realizações podem fazer com que pensem em quem realmente são.
O Dr. Fred Riley, um importante assistente social, tratou de muitos atletas que se viam mais como atletas do que como filhos de Deus. Ele conta: "O que acontece quando eles já não conseguem mais jogar basquete? Perdem sua identidade." Seu senso de auto-estima está relacionado a suas habilidades físicas, e não a seu caráter. Muitos daqueles que alcançam reconhecimento mundial não gostam de si mesmos.
Algumas pessoas ricas e famosas, embora tenham grande talento e capacidade, são muito inseguras e sucumbem às drogas, às bebidas alcoólicas ou à imoralidade, e estragam a sua vida. Em vez de serem felizes por serem quem são, tornam-se descontentes e insatisfeitas. Medem seu valor pessoal apenas em termos de seu talento e realizações, em vez de reconhecerem quem realmente são interiormente. Nem sempre é verdade que quanto mais realizações você alcançar, mais feliz será ou mais gostará de si mesmo.
Como filhos e filhas de Deus, temos a obrigação de desenvolver o maior número de talentos que Dele recebemos. Todos devemos esforçar-nos para alcançar objetivos dignos. Devemos adquirir aptidões e instrução. Vocês serão mais felizes se souberem quem são e gostarem de si mesmos.
Então, quem vocês acham que são? A pessoa que vocês pensam que são e a que vocês realmente são podem ser duas versões diferentes de vocês mesmos. Do ponto de vista eterno, essas duas versões precisam andar juntas. Deus os conhece e sabe quem vocês podem vir a ser porque Ele já os conhecia desde o princípio, quando eram Seus filhos e filhas espirituais. Seu destino depende em grande parte da maneira como vocês irão seguir os princípios da retidão e das boas obras que realizarem.
Vocês podem perguntar: "Como posso aprender a gostar de mim mesmo?" Tenho cinco sugestões que podem ser úteis.
1. MUDAR O MAU COMPORTAMENTO
Precisamos mudar nosso mau comportamento. Precisamos arrepender-nos. Conforme Alma disse a seu filho Coriânton: "Iniqüidade nunca foi felicidade." É difícil gostarmos de nós mesmos se estivermos fazendo coisas que sabemos ser erradas. A maioria de vocês aprendeu com seus pais e líderes de jovens a maneira certa de comportar-se. Vocês também têm as escrituras e o folheto Para o Vigor da Juventude para guiá-los.
Em sua jornada em busca do autoconhecimento, não se deixem enganar por comparações com modelos ou tipos de corpos que pareçam ser mais masculinos ou que estejam de acordo com a moda, mas que na verdade não são condizentes com sua condição de filhos e filhas de nosso amoroso Pai Celestial.
Uma moça de 17 anos tornou-se tão obcecada com seu corpo, que deixou de comer e acabou ficando com um distúrbio patológico do apetite. Quando seu pai percebeu o que estava acontecendo, insistiu para que ela começasse a comer melhor. Com isso, ela caiu em si e escreveu:
"Durante toda a minha vida fiz tudo para os outros. As notas, meu bom comportamento, os prêmios, tudo tinha sido para eles, não para mim. Essa questão da alimentação, essa luta para perder peso se tornou algo meu. Representava minha vida e minhas escolhas, e meu pai estava tentando tirar até aquilo de mim!
Enquanto estava deitada na cama à noite, chorando e sentindo-me gorda, senti que precisava de ajuda. Eu sabia que estava magoando as pessoas que amava.
Depois de ficar a noite inteira acordada, cheguei à conclusão de que não era meu pai que eu odiava Eu me odiava! Percebi que eu não estava no controle da situação. Pela primeira vez na vida, compreendi que eu era o problema. Precisava assumir o controle da minha vida, e não deixar que a doença a controlasse.
As coisas não mudaram de um dia para o outro. Na verdade, o caminho para a recuperação foi bem longo. Mas lentamente, com a ajuda de meus amigos e minha família, comecei o processo de cura. Hoje, tendo meu peso ideal, parei de vez de ficar me pesando. Também não fico mais folheando revistas de moda. Pode ser que nem sempre eu esteja ‘na moda’, mas sinto-me muito bem!"
Essa sensação de estar "bem" consigo mesmo contribui para nossa felicidade e nosso senso de identidade.
Ao mudarmos nosso mau comportamento e procurarmos o Senhor, passamos a merecer a companhia do Espírito Santo, algo que tem profunda influência em nosso bem-estar. Esse grande dom é fruto de uma vida justa, da obediência aos mandamentos de Deus e do serviço ao próximo. Parley P. Pratt tinha a seguinte visão a respeito do dom do Espírito Santo:
"[Ele] ilumina a mente, aumenta, desenvolve, expande e purifica todas as paixões naturais e afeições. ( . . . ) Inspira-nos virtude, bondade, brandura, ternura, gentileza e caridade. ( . . . ) Revigora todas as aptidões físicas e intelectuais do homem."
2. PERDOAR A NÓS MESMOS E AOS OUTROS
O perdão é uma parte importante do processo de abandono do mau comportamento. Ao fazermos as mudanças necessárias, é preciso que nos perdoemos. Mas pode ser que tenhamos também de perdoar outras pessoas que nos acompanhavam pelo mau caminho. O perdão nos ajuda a livrar-nos do mau comportamento que estamos abandonando. O Livro de Mórmon relata como podemos saber que passamos do mau para o bom caminho. Depois de o rei Benjamim ter proferido seu magistral discurso a respeito de Cristo, os nefitas clamaram todos a uma só voz:
"O Espírito do Senhor Onipotente ( . . . ) efetuou em nós, ou melhor em nosso coração, uma vigorosa mudança, de modo que não temos mais disposição para praticar o mal, mas, sim, de fazer o bem continuamente. ( . . . )
E foi a fé que tivemos nas coisas que nosso rei nos disse que nos levou a este grande conhecimento, pelo que nos regozijamos com tão grande alegria."
Sentindo alegria e paz, saberemos quem somos e agiremos de acordo com esse conhecimento.
3. ADQUIRIR CONFIANÇA FAZENDO BOAS ESCOLHAS
Vocês estão começando agora a fazer escolhas importantes. As escolhas têm suas conseqüências. De certa forma, essas escolhas afetarão não apenas o resto de sua vida, mas toda a eternidade. Lembrem-se, meus jovens amigos, de que a fama e a fortuna nem sempre significam felicidade. É muito melhor ter confiança em nós mesmos e sentir-nos bem em relação a quem somos. Isso depende de sua capacidade de escolherem o certo. É também importante sermos capazes de ter um desempenho excelente em algum campo.
No verão passado, os jogos olímpicos foram realizados em Sydney, Austrália. Certas regras e restrições foram estabelecidas para os diversos eventos olímpicos: os corredores e os nadadores tinham que ficar dentro de suas respectivas raias, os arremessadores de peso tinham que permanecer dentro do círculo demarcado, os lutadores tinham que ficar dentro do ringue, caso contrário seriam desclassificados. Além disso, eram proibidas drogas para melhorar o desempenho dos atletas.
Um jovem de Denver, Colorado, que havia ficado com a medalha de prata recebeu posteriormente a de ouro, porque o vencedor de sua prova foi desqualificado por ter usado um esteróide proibido. Em entrevista, ele referiu-se à triste perda da medalha por parte de seu competidor, dizendo:
"Tenho pena dele. Mas todos temos que fazer escolhas. ( . . . ) Ele fez as dele, e eu fiz a minha. ( . . . )
Creio que Deus me estava observando. Creio que Ele cuida de todos nós. Aprendi muito com o modo como as coisas aconteceram. Senti a angústia da derrota e depois a emoção da vitória. Isso fez-me uma pessoa muito mais forte, tanto mental quanto espiritualmente."
Crescemos e nos desenvolvemos quando fazemos boas escolhas. Adquirimos confiança quando decidimos orar todos os dias, assistir às reuniões sacramentais, guardar a Palavra de Sabedoria, obedecer a nossos pais e líderes do sacerdócio, ler as escrituras e controlar os apetites de nosso corpo.
4. PRESTAR SERVIÇO
Se realmente quisermos nos sentir melhor a nosso próprio respeito, devemos realizar atos de bondade. A bondade molda nosso caráter e nos torna mais semelhantes a nosso Pai Celestial. O Salvador ensinou: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Quando demonstramos nosso amor ao próximo, compreendemos melhor o amor do Salvador por todos nós e sentimos que somos filhos de um Pai Celestial amoroso. De vez em quando devemos procurar oportunidades de prestar serviço à comunidade.
De fato, conforme escreveu um famoso psiquiatra: "Sentimos prazer quando nos envolvemos com outras pessoas, e elas se envolvem conosco, mas sofremos quando estamos isolados e solitários. O caminho para uma identidade aceitável é o envolvimento." Podemos sentir grande satisfação ao ajudar os pobres, os doentes, os idosos e outras pessoas com necessidades especiais. Olhem à sua volta; existe todo tipo de oportunidades.
5. ESCOLHER A FELICIDADE
O mais fundamental de todos os objetivos da humanidade é a sua busca da felicidade. Cada um de nós escolhe sua própria felicidade. Conforme disse, certa vez, o Presidente Harold B. Lee (1899–1973): "A felicidade não depende do que acontece fora de nós, mas no que acontece dentro de nós. Ela é medida pela atitude com que encaramos os problemas da vida." Freqüentemente todos temos que escolher entre um momento de prazer e uma vida agradável.
Cada um de nós já nasceu com seus hormônios naturais de "felicidade." Quando estimulados, eles secretam potentes substâncias químicas em nosso corpo. Existem muitos tipos. Alguns são chamados de endorfinas. Geralmente quando estamos sentindo dor ou aflição, as endorfinas nos proporcionam uma sensação de bemestar. A ciência já sabe há muito tempo que nossa atitude e bem-estar mentais afetam nossa saúde física. Um letreiro em um grande hospital proclama: "O riso é o melhor remédio." Sorrir faz bem à alma.
O sorriso traz um brilho a nosso rosto que se irradia para as outras pessoas. Sermos amigáveis com os vizinhos, as pessoas na escola, na igreja ou no trabalho é uma grande maneira de mostrar ao Senhor que desejamos guardar o convênio que fizemos no batismo de "carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves."
Recomendo que sejamos amigáveis uns com os outros, porque existem muitas pessoas tímidas ou solitárias que necessitam de uma palavra amiga ou um sorriso. Elevar os outros amplia nosso eu interior. Esse também é o caminho do Mestre. Tal como Anna do musical O Rei e Eu, descobri que assobiar "uma alegre melodia" ou cantar (especialmente quando estou sozinho!) também pode alegrar meu espírito.
Há muitos anos, meu pai contou-nos que costumava passear pelo bosque com um velho amigo, o juiz Bringhurst. O juiz cantava tão alto durante todo o caminho que afugentava os animais selvagens. Mas meu pai disse que apreciava tanto o canto do juiz que não se importava por não ver nenhum animal ou pássaro.
Por isso, parece que quando rimos, sorrimos, cantamos, assobiamos ou nos exercitamos, sentimo-nos melhor. Esquecemos nossas preocupações ou passamos a vê-las por um ângulo mais positivo. Ao estendermos a mão para outras pessoas, nossos hormônios de felicidade são estimulados e descobrimos nosso verdadeiro eu.
Lembro-me de um estudo feito há alguns anos para determinar quais eram as influências que mantinham os jovens no caminho estreito e apertado. Obviamente existem muitas influências fundamentais. Todas são importantes. Elas incluem a influência dos pais, consultores do sacerdócio, consultoras das Moças, chefes escoteiros e os amigos.
Mas fiquei surpreso ao descobrir que um fato precioso de particular importância se destacou nesse estudo. Trata-se da crença de que um dia todos nós teremos de prestar contas de nossas ações perante o Senhor. Muitos acreditavam que "o guardião da porta é o Santo de Israel; e ele ali não usa servo algum, e não há qualquer outra passagem a não ser pela porta; porque ele não pode ser enganado pois Senhor Deus é o seu nome."
Aqueles que tinham uma perspectiva eterna contavam com mais força espiritual e resolução. O fato de sentirmos que somos pessoalmente responsáveis perante o Salvador por nossas ações e mordomias e de agirmos em conformidade com esse conhecimento nos proporciona uma imensa proteção espiritual.
Ralph Waldo Emerson deu-nos uma medida pela qual podemos avaliar nosso sucesso pessoal. Ele escreveu:
O que é o sucesso?
Rir muito e sempre;
Conquistar o respeito de pessoas inteligentes
e o afeto das crianças;
Merecer o elogio de críticos sinceros
e suportar a traição de falsos amigos;
Apreciar a beleza;
Descobrir o que há de melhor nas pessoas;
Tornar o mundo um pouquinho melhor, seja por meio de
um filho saudável, um canteiro de jardim
ou melhores condições sociais;
Saber que ao menos uma pessoa no mundo,
sentiu seu fardo um pouco mais leve por nossa causa;
Isso é o sucesso.
Portanto, quem vocês acham que são? O Profeta Joseph Smith disse: "Se os homens não compreenderem o caráter de Deus, não conseguirão compreender a si mesmos."
Saber quem vocês são, quem realmente são, é algo intimamente ligado a seu conhecimento de Deus, porque vocês são filhos Dele. Seguir as simples sugestões que descrevi irá ajudá-los a conhecer Deus e, portanto, conhecer a si próprios.
Eu acredito em vocês, acredito que serão obedientes e valentes e que receberão as bênçãos do Senhor em seu empenho de descobrir sua identidade como Seus filhos e filhas especiais.
Fonte: A Liahona Junho 2001
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